Exposição Vozes do Centro: Ecos do Patrimônio Vivo.

A exposição nasce do Núcleo Guardiões em Rede, ação do Programa Patrimônio em Rede e os Guardiões da Memória, desenvolvido pelo Instituto de Estudos Sociais e Terapias Integrativas (IESTI) e se baseia nas Histórias de Vida de 7 Patrimônios Vivos do Centro Histórico de São Luís.

Abdelaziz Aboud, presidente do IESTI, e Maria da Graça (Vó Graça), figura homenageada na exposição Vozes do Centro: Ecos do Patrimônio Vivo. Foto: Jessica Lauane

O território, para além das ruas, casas e edifícios, são as pessoas. Território é feito de seres vivos, de gente e das histórias que elas criam. Já dizia Nêgo Bispo, o tempo é “começo, meio e começo”, e quem garante esse tempo espiralar é o registro e manutenção da memória; é a manutenção da vida onde habita que mantém a história a ser escrita, perpetuada, salvaguardada e transformada. Assim dizem as boas línguas que acreditam e praticam um futuro melhor.

A exposição Vozes do Centro: Ecos do Patrimônio Vivo provoca o público a ver e escutar, valorizando a atenção e estado de presença em um mundo ruidoso, onde o hábito de contemplar e ouvir histórias perdeu o foco. As artes, assinadas por Beatriz Pires, contam com um qr code no verso que encaminha para documentários audiovisuais com depoimentos dos homenageados. Eles contam sobre suas histórias e missão de vida, causos, dores e alegrias. Vidas em cena com um pedaço de sua completude retratada. São registros que emocionam ao aproximar o espectador de pessoas reais, que aprofundam o sentido de cidade. Passear pelas histórias é uma forma de passear pelo Centro Histórico de São Luís, onde tais histórias se cruzam com as ruas, becos, vielas, casebres, casarões e sobrados da encantada cidade dos azulejos ou ilha do amor.

Exposição Vozes do Centro: Ecos do Patrimônio Vivo. Foto: Jessica Lauane

Os depoimentos recolhidos em formato de documentário resultaram no filme “Vozes do Centro”, lançado no mesmo dia da exposição. A sessão realizada na sede do IESTI gerou comoção e admiração no público presente, revelando o poder afetivo de olhar com atenção para o território e para as pessoas que zelam pela história do lugar: rezadeiras, parteiras, arrumadores, promesseiras, empreendedores, professores, músicos, agentes culturais…as identidades se misturam em histórias multifacetadas, vigoradas pelo desejo de manter a história viva, desenvolver-se de forma coletiva e comunitária.

Sessão de lançamento do Filme Documental Vozes do Centro. Foto: Jessica Lauane

As curadoras Louyse Silva e Cátia Oliveira apresentam a exposição com o seguinte texto:
As obras convidam o olhar a atravessar as fachadas e encontrar aquilo que sustenta o patrimônio em sua dimensão mais viva: as pessoas. São as vozes, os gestos, os saberes e as memórias dos moradores do Centro Histórico de São Luís que mantém pulsante este território reconhecido como Patrimônio Mundial.

Mais do que conservar edifícios, preservar é escutar. É reconhecer que o patrimônio habita os corpos, os afetos e as histórias compartilhadas. Nesta mostra, cada narrativa ecoa como um ato de resistência, pertencimento e continuidade, revelando que a cidade vive porque suas memórias seguem sendo contadas. A exposição nasce do Núcleo Guardiões em Rede, ação do Programa Patrimônio em Rede e os Guardiões da Memória, desenvolvido pelo Instituto de Estudos Sociais e Terapias Integrativas (IESTI) e se baseia nas Histórias de Vida de 7 Patrimônios Vivos do Centro Histórico de São Luís.

Maria da Graça (Vó Graça) e seu filho José Domingos, sua nora Bruna Araújo e seu neto Josué Araújo. Foto: Jessica Lauane

Sobre os realizadores

O Núcleo Guardiões em Rede é um desdobramento do Programa Patrimônio em Rede e os Guardiões da Memória realizado pelo Instituto de Estudos Sociais e Terapias Integrativas (IESTI), localizado em São Luís/MA. O Núcleo consolida-se como uma iniciativa que propõe uma nova perspectiva sobre a Educação Patrimonial. Seu fundamento está em ampliar o conceito de patrimônio, transcendendo a dimensão arquitetônica para destacar os verdadeiros agentes da história: os moradores que conferem alma ao território. O projeto dedica-se a valorizar a comunidade do Centro Histórico de São Luís, no Maranhão, reconhecendo as práticas sociais que constroem, dia após dia.

“A nossa missão é proteger os saberes e os fazeres desses personagens, dando eco às vozes e às recordações que preservam, de forma organicamente, este lugar reconhecido como Patrimônio Mundial.
Para cumprir nosso propósito, concentramos esforços no registo de narrativas dos que habitam e dinamizam o centro, com atenção especial aos saberes coletivos, experiências de habitação e vivência urbana, ofícios locais, celebrações religiosas e manifestações da cultura popular. Estas expressões são fundamentais para o tecido cultural e compõem a identidade singular da região. Nossa missão é salvaguardar os modos de viver e fazer dos sujeitos que compõem um território que é Patrimônio Mundial, reverberando as vozes e memórias daqueles que organicamente realizam a preservação do Patrimônio. Os nossos objetivos orientam-se no sentido de promover uma consciência patrimonial crítica, dar visibilidade e abrir à sociedade as trajetórias individuais, celebrar a diversidade, reforçar o sentimento de pertença e, por fim, documentar e partilhar estas memórias através de múltiplos formatos”.
No primeiro ciclo de trabalho do Núcleo desenvolveu-se uma Oficina sobre Tecnologia Social da Memória com os Guardiões da Memória e público externo interessado pela temática, onde tiveram a oportunidade de socializar a metodologia. Durante o ano de 2025, foram documentadas 7 Histórias de Vida de pessoas que vivem, atuam ou trabalham há décadas no Centro Histórico e que compartilham uma visão apurada sobre os Patrimônios que compõem esse espaço. Em parceria com o Museu da Memória Audiovisual do Maranhão (MAVAM) as entrevistas foram compiladas para gerar o documentário Vozes do Centro.

Equipe Patrimônio em Rede e os Guardiões da Memória. Foto: Jessica Lauane

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